Chip de IA da China dispara 179% em estreia e amplia disputa com Nvidia

Enflame Technology, apoiada pela Tencent, levanta US$ 912 milhões e ganha força na corrida por chips de inteligência artificial

A fabricante chinesa de chips de inteligência artificial Enflame Technology disparou 179% em sua estreia na bolsa de Xangai, refletindo o interesse crescente por alternativas chinesas aos chips da Nvidia.

A corrida global pelos chips usados em inteligência artificial ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira. A Enflame Technology, fabricante chinesa de processadores para IA apoiada pela Tencent, encerrou seu primeiro pregão na bolsa de Xangai com valorização de 179%.

A empresa levantou aproximadamente 6,12 bilhões de yuans, ou cerca de US$ 912 milhões, em sua oferta pública inicial de ações. O desempenho chamou atenção em um momento em que a China tenta acelerar o desenvolvimento de semicondutores nacionais para reduzir sua dependência de fornecedores americanos.

Ações quase triplicaram de valor

As ações da Enflame foram ofertadas inicialmente a 142,18 yuans. No primeiro dia de negociação, chegaram a 475 yuans e terminaram o pregão em 397 yuans.

Com isso, o valor de mercado da companhia passou de aproximadamente 61,2 bilhões de yuans pelo preço do IPO para cerca de 171 bilhões de yuans no fechamento.

Empresa é apoiada pela Tencent

A Tencent continua sendo a maior acionista da Enflame, com participação de aproximadamente 17,95% após a oferta.

A gigante chinesa também era o principal cliente da fabricante antes da abertura de capital. Dados do prospecto indicam que negócios relacionados à Tencent representaram 83,79% da receita da Enflame em 2025.

Essa concentração mostra tanto a força do relacionamento estratégico quanto um dos riscos do modelo de negócios da companhia.

China busca alternativas à Nvidia

A Enflame faz parte de um grupo de empresas chinesas que trabalham para criar alternativas domésticas aos processadores utilizados em sistemas de inteligência artificial.

O movimento ganhou importância diante das restrições dos Estados Unidos à exportação de determinados chips e tecnologias avançadas para a China.

Ao desenvolver seus próprios processadores e sistemas de computação, Pequim pretende diminuir a dependência de empresas estrangeiras em uma área considerada estratégica para a economia e para a segurança nacional.

Empresa ainda não dá lucro

Apesar da forte valorização na bolsa, a Enflame ainda opera no vermelho.

A companhia registrou prejuízo líquido de aproximadamente 1,16 bilhão de yuans em 2025, embora o resultado tenha melhorado em relação ao prejuízo de 1,51 bilhão de yuans registrado no ano anterior.

A receita de 2025 chegou a aproximadamente 990,2 milhões de yuans, crescimento de 37% em relação ao período anterior.

Expectativa de crescimento

Para os primeiros nove meses de 2026, a Enflame prevê receita entre 2,3 bilhões e 3 bilhões de yuans.

A empresa também espera reduzir seu prejuízo e alcançar o ponto de equilíbrio entre 2026 e 2027, dependendo da evolução da receita e das margens.

Dinheiro do IPO será usado em novos chips

A maior parte dos recursos obtidos com a abertura de capital deverá ser direcionada ao desenvolvimento das próximas gerações de chips de inteligência artificial.

A empresa também pretende investir em software e sistemas de computação capazes de trabalhar em larga escala.

Essa estratégia mostra que a disputa não envolve apenas fabricar um chip mais rápido. O objetivo é construir um ecossistema completo de hardware, software e infraestrutura capaz de sustentar modelos avançados de IA.

Uma disputa que vai além das empresas

A competição entre fabricantes de chips de IA já se transformou em uma disputa tecnológica e geopolítica.

Enquanto empresas americanas como a Nvidia dominam grande parte do mercado global de aceleradores de inteligência artificial, companhias chinesas tentam desenvolver alternativas próprias.

O desempenho da Enflame em sua estreia mostra que investidores estão dispostos a apostar nesse mercado, mesmo diante dos riscos financeiros e tecnológicos.

A corrida pelos chips de IA está apenas começando, e a capacidade de produzir semicondutores avançados pode se tornar um dos principais fatores de competitividade tecnológica nos próximos anos.

Fonte: Reuters
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